Stephan Schäfer - Conservação, Restauro e Análise Científica de Pinturas, Arte Contemporânea e Moderna
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ARTE CONTEMPORÂNEA

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O Desafio da Restauração e Conservação da Arte Contemporânea

A arte contemporânea e moderna, ao contrário da arte antiga, é composta por uma grande variedade de materiais modernos, utilizando-se, às vezes, de técnicas não tradicionais. Além disso, muitos artistas experimentaram novos materiais e novas técnicas sem avaliar previamente sua compatibilidade e a longevidade do produto final. Atualmente, há obras que acabam não durando um décimo do tempo comparado com materiais tradicionais, como têmpera e óleo sobre suportes de madeira ou tela.

O pintor antigo tinha um conhecimento técnico imenso, inclusive sobre as reações de certos pigmentos com certos aglutinantes, que alteram a cor com o tempo, ou já calculavam um ligeiro amarelecimento das cores devido ao envelhecimento do óleo, por exemplo. Esse conhecimento técnico e dos materiais foi transmitido por mais de 500 anos. Porém, as mesmas regras não se aplicam aos materiais e técnicas utilizados na arte moderna e contemporânea, cujos estudos e experimentos não ultrapassam 100 anos.

Na conservação de arte contemporânea, há um grande desafio: saber quais materiais e técnicas determinado artista utilizou. Só então é possível entender as patologias e processos de degradação a que sua obra está sujeita. Alguns artistas utilizaram gordura, feltro, chocolate e queijo, por exemplo, na sua arte conceitual. Nestes materiais, a problemática da preservação é óbvia. No caso de produtos pós-industriais, como os polímeros sintéticos, por exemplo, que surgiram nos anos 50 e 60, temos no máximo 60 anos de experiência. Na época, acreditava-se que os materiais modernos seriam mais estáveis e duradouros do que os materiais tradicionais, mas hoje sabemos que isso não é verdade. Assim, temos artistas cujas obras dos anos 70 e 80 tem grande incompatibilidade de materiais e hoje apresentam um notório craquelê e desprendimento pictórico. Existem pintores que usaram tinta acrílica sobre telas industrialmente fabricadas a base de óleo e a camada pictórica, depois de um tempo, se separa da preparação da tela em forma de escamas. Outra problemática exemplar do uso de materiais industriais modernos e de uma fase experimental é o uso do suporte de Eucatex (aglomerado de madeira de alta densidade). Este material possui um lado liso e outro áspero (quadriculado), sendo que o lado liso ainda é impregnado com um produto de desmoldagem, justamente para não ficar grudado na superfície da prensa quente durante o processo de produção, facilitando o material de se SEPARAR da prensa. Obras de artistas que obviamente não sabiam deste fato e pintaram sem lixar ou preparar o lado liso, sofrem quase sempre do problema de desprendimento geral após pouco tempo.

Há um artista português que durante uma fase usou a “sujeira” do chão no ateliê dele varrendo e misturou tal sujeira com uma resina acrílica para produzir suas obras. Outro conhecido artista paulista usou vaselina em camadas de até 20 cm, nas quais ele insere objetos como botas de borracha, pneus, telas metálicas, etc. A Vaselina é composta por parafinas de diferentes comprimentos de cadeias de massa molecular, o que resulta na separação das frações líquidas que vem para a superfície. Em dias quentes, estas obras podem literalmente desabar integralmente. Toda massa da Vaselina com os objetos inseridos desliza e vai abaixo. Obra perdida?

Estes são apenas alguns exemplos de inúmeros outros que se poderia citar e que demonstram por que o restauro e a conservação de arte moderna e contemporânea ainda não se pode ensinar facilmente em uma faculdade e que esta disciplina requer soluções sempre novas, além de um conhecimento técnico-científico muito amplo, além da capacidade de “problem solving”. Ainda é necessário ter uma atitude diferente comparado com a do restauro de arte antiga. Precisamos conhecer a técnica e pesquisar sobre os artistas com maior profundidade. Em função disso, há uma discussão constante de qual seria o conteúdo dos cursos de conservação e restauro de arte moderna e contemporânea, mas ainda não se chegou a um tipo de currículo coerente que atenda a todos estes requisitos.

Outro assunto relevante seria a arte efêmera onde a intenção artística é que aquele objeto se degrade e faça por uma transição. Há, ainda, aqueles artistas que já manifestaram que não querem nenhuma intervenção em sua obra de forma geral. Portanto, na arte moderna especialmente, se coloca a grande questão da intenção artística que deve ser respeitada. Por isso, as universidades com cursos e especialização em conservação de arte moderna e contemporânea procuram fazer entrevistas padronizadas com artistas vivos e ter registro de sua opinião e intenção.

O mundo da arte passa por revoluções constantemente, muitas vezes sem nem ao menos se preocupar com o futuro da própria arte. Por isso, os conservadores/restauradores têm que constantemente se atualizar, estudar e se especializar para se adequar à nova regra artística. É necessário sempre estar informado sobre os materiais adequados, técnicas certas e principalmente ter a ética do restauro como principal lei em seu trabalho.

Stephan Schäfer faz parte de um grupo de especialistas chamado grupo CIMCA (Conservation Issues in Modern and Contemporary Art), que define onde aplicar os esforços no ensino, na pesquisa e no desenvolvimento de métodos novos de conservação por causa desta imensa complexidade e problemática. Neste momento, o grupo definiu que o foco principal dos estudos serão as tintas vinílicas e acrílicas, que em si já colocam uma grande variedade de questões tão complexas, que exigem inúmeros pesquisadores, inclusive Stephan, trabalhando nesse assunto.

Por tudo isto, podemos concluir que a conservação e o restauro de arte moderna e contemporânea é extremamente complexa e problemática. Existem poucos profissionais na área com especialização em arte contemporânea. No Brasil, esse tipo de conhecimento você encontra quase exclusivamente na Stephan Schäfer Conservação e Restauração.

Stephan Schäfer participou de dois encontros internacionais sobre a complexidade da conservação da arte contemporânea:

Encontro do grupo da Getty, Conservation issues of modern and contemporary art (CIMCA), 2008:
http://getty.edu/conservation/science/modpaints/modpaints_cimca.html

Encontro sobre pinturas de acrílico, 2009:
http://www.getty.edu/conservation/education/sci_series/caps.html


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